quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Controle Biológico de Pragas e Doenças em Orquídeas

           Apesar dos resultados, muitas vezes imediatos da aplicação dos defensivos químicos (ou agrotóxicos e venenos, como muitos preferem denominar) em plantas cultivadas, nem sempre o alvo é específico. É enorme a lista dos produtos que quando pulverizados para combater um determinado inseto ou doença, acabam promovendo uma verdadeira “limpeza biológica” no ambiente.
Cycloneda sanguinea predando pulgão (Foto: The Lost Ladybug)

Explicando melhor, normalmente um orquidófilo quando precisa eliminar uma infestação de pulgões em suas plantas, por exemplo, normalmente elimina também os insetos que se alimentam ou parasitam os mesmos, e que promoveriam o seu controle natural.
Conceituando: controle natural ou biológico nada mais é do que a redução da população de um determinado indivíduo (seja ele inseto, protozoário, fungo etc), através dos seus inimigos naturais, que podem ser outros insetos, outros protozoários, outros fungos, bactérias, vírus, aranhas, pássaros, etc.

Contaminação por Beauveria bassiana (Foto: The Hidden Forest)
Na prática, a adoção de alguns manejos por si já auxilia muito o controle biológico natural nos cultivos caseiros ou comerciais: nutrição equilibrada, manejo de irrigação e controle de umidade relativa do ar, aplicação de defensivos (agrotóxicos ou alternativos) seletivos aos inimigos naturais (que não afetam ou influenciam pouco no seu desenvolvimento), entre outros. Porém mesmo diante do manejo mais equilibrado, algumas plantas ainda podem sofrer com picos ocasionais de infestações de pragas e doenças. Nesse caso podem-se introduzir inimigos naturais no sistema de cultivo de maneira massal visando o controle.
Muitas são as empresas que disponibilizam produtos a base, ou os próprios inimigos naturais criados em laboratório. Alguns exemplos de inimigos naturais e produtos:
Inimigo Natural
Praga/ Doença
Produto Comercial/ Empresa
Beauveria bassiana (fungo entomopatogênico)
Tenthecoris, vaquinhas, percevejos, vespinhas, abelha arapuá, pulgões, ácaros, formigas, lagartas
Boveril (Itaforte)
Metarhizium anisopliae (fungo entomopatogênico)
Cochonilhas, gafanhotos, cigarrinhas, cupins, tripes de folhas
Metarril (Itaforte)
Trichoderma harzianum (fungo micoparasita)
Phytophthora e Pythium (podridões de pseudobulbo), Fusarium, Botrytis (manchas e podridões nas flores)
Trichodermil (Itaforte)
Rhodopseudomonas capsulata (bactéria nematoparasita)
Nematóides
PSB (Enzimac)
Joaninhas (Scymnus sp, Cycloneda sanguinia, Hippodamia convergens, etc)
Pulgões e algumas cochonilhas
Manejo ambiental
Sirfídeos (algumas larvas de moscas da família Syrphidae)
Pulgões, tripés, algumas espécies de cochonilhas
Manejo ambiental
Parasitóides (Trichogramma spp, Trissolcus sp, Telenomus sp, entre outras microvespas da família Hymenoptera)
Lagartas, pulgões, vaquinhas, besouros, percevejos
Bug Agentes Biológicos, Promip
Orius insidiosus (percevejo predador)
Tripes de flores
Promip
Neoseiulus sp, Phytoseiulus macropilis (ácaros predadores)
Ácaros rajado, vermelho e branco
Promip
Stratiolaelaps scimitus (ácaro predador)
Fungus gnats (Bradisias), pulpa de tripes
Promip
Bacillus thuringiensis (bactéria entomoparasita)
Lagartas
Dipel (Sumitomo)
Paecilomyces lilacinus (fungo parasita de ovos)
Nematóides
Nemat (Balagro)
Arthrobotrys sp (fungo nematófago)
Nematóides
Nemat (Balagro)

Portanto, diante da grande disponibilidade de produtos que proporcionam o controle sustentável de quase todos os problemas fitossanitários das orquídeas, não justifica a utilização, sejam nos quintais, sejam em estufas comerciais, de produtos químicos passíveis de intoxicação ambiental e humana. Apenas lesmas e caracóis ainda não possuem produtos biológicos comerciais, porém já se conhecem os inimigos naturais de ambos, sendo alguns protozoários, platelmintos, nematelmintos e insetos como as lacrais (ou centopéias). O desenvolvimento de algum produto específico é questão de tempo.
Existe apenas uma desvantagem na introdução de inimigos naturais em relação ao controle químico em qualquer cultivo: o tempo de resposta à aplicação. Os defensivos químicos normalmente mostram os resultados dentro de 24 horas, enquanto o controle biológico leva de 3 a 5 dias, sendo mais recomendado no início das infestações ou infecções, porém ainda melhor se utilizado preventivamente.
A Apiflora, com o auxílio de alguns orquidófilos que posteriormente serão citados e que cederam plantas e mudas para diversos testes, em breve promoverá um Dia de Campo para a demonstração de muitos resultados envolvendo a utilização de produtos biológicos. A data do evento será divulgada nesse blog.
Também estamos disponibilizando para a venda os produtos da empresa Itaforte, Boveril, Metarril e Trichodermil. Como Agrônomo, trabalho e recomendo os três produtos há oito anos com excelentes resultados na produção de flores e plantas ornamentais.

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